Rastros de antigas supernovas caem na Terra até hoje

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Neste exato momento, a Terra pode estar atravessando uma nuvem de poeira csmica radioativa. Mais especificamente, rastros de antigas supernovas, de acordo com um estudo publicado no peridico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Pode parecer estranho, mas os cientistas tm uma razo para cogitar essa hiptese: a Terra recebe do espao, continuamente, um istopo muito especfico de ferro. Isso j acontece h 33 mil anos.

Um istopo um tomo de um certo elemento, mas com um nmero diferente de nutrons em seu ncleo. Nesse caso, trata-se do ferro-60, ou seja, um ferro com uma massa atmica – a soma de prtons e nutrons – de 60 unidades. Isso ligeiramente mais pesado que um tomo comum de ferro, cuja massa atmica de 56 unidades.

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Depsitos do istopo ferro-60 podem ter origem em supernovas. Imagem: Soubrette/iStock

O curioso que esse polvilhamento de ferro-60 no parou, e continua acontecendo at hoje. Por isso, ainda devemos estar atravessando essa nuvem de poeira csmica criada por uma supernova, de acordo com o Science Alert. O ferro-60 no surge naturalmente na Terra; na verdade, ele um dos diversos elementos forjados por supernovas.

Supernovas so exploses de grandes estrelas. Essa enorme exploso acontece quando uma estrela com massa dez vezes maior que o Sol possui muito ferro em seu ncleo e perde a capacidade de fundi-lo. A presso interna supera a fora da gravidade ao redor, fazendo com que a estrela exploda. Nesse momento, a supernova cria elementos mais pesados do que o ferro, alm de lan-los para todos os lados, o que permite o surgimento de novas estrelas e planetas.

Possibilidades

A formao do Sistema Solar deve-se ao aglomerado de material remanescente de uma supernova. A exploso aconteceu h bilhes de anos, mas o suficiente para gerar desconfiana por parte dos pesquisadores.

O ferro-60 um istopo instvel, ou seja, radioativo. Isso significa que, com o passar do tempo, ele decai, at tornar-se um tomo de ferro comum. Esse processo de decaimento total leva em torno de 15 milhes de anos. A Terra, por sua vez, tem 4,6 bilhes de anos. Portanto, no h como esse ferro-60 ser oriundo da supernova que formou o Sistema Solar.

Os depsitos mais antigos de ferro-60 no planeta esto no fundo dos oceanos. Segundo os pesquisadores, essas partculas se depositaram entre 2,6 milhes e 6 milhes de anos, sugerindo que essa a poca em que os materiais caram na Terra.

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Remanescentes da supernova N 49. Imagem: Nasa/ESA

No entanto, novas evidncias revelaram depsitos mais recentes. Na Antrtica, por exemplo, h material que caiu nos ltimos 20 anos. Em outras palavras, os istopos de ferro radioativo podem estar caindo neste exato momento. Mas sua concentrao muito baixa, ento no representa perigo algum sade.

Suas maiores implicaes so cientficas, j que levanta diversos novos questionamentos. O istopo j foi identificado tambm no espao, alm de outros locais que no consistem com as previses.

Embora no se saiba exatamente o que est acontecendo, algumas novas hipteses buscam explicar a situao. “H artigos recentes que sugerem que o ferro-60 preso nas partculas de poeira pode saltar no meio interestelar”, disse em comunicado o professor e fsico nuclear Anton Wallner. “Portanto, o ferro-60 pode se originar de exploses de supernovas ainda mais antigas, e o que medimos algum tipo de eco”.

Via: SoCientfica





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