Governo do RS manda cortar a luz de escola ocupada pela

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O governo do estado deu novo passo na tentativa de fechar a Escola Estadual de Ensino Fundamental Estado do Rio Grande do Sul. No início de setembro, o Executivo gaúcho mandou arrombar a instituição de ensino e iniciou a retirada de documentos e equipamentos. Agora, a instituição terá a luz cortada por ordem do governo Eduardo Leite (PSDB). Localizada no centro de Porto Alegre, a escola está ocupada por estudantes e membros da comunidade escolar há cerca de um mês, em protesto pela decisão do governo estadual em fechá-la. 

Presidente do conselho da escola e mãe de aluno, Rossana da Silva acredita que a decisão do governo Leite de cortar a luz do local visa desmobilizar o grupo que hoje ocupa a escola. “A ordem é totalmente covarde pra tentar desmobilizar a ocupação e a nossa luta. Iremos continuar resistindo, ocupando até que sejam devolvidos os documentos e determinado que a escola fique no seu endereço atual”, afirma Rossana.

Na manhã desta quarta-feira (7), membros da comunidade escolar fizeram um ato em frente ao Palácio Piratini e, ao voltaram para o colégio, por volta das 12h30, encontraram um funcionário da companhia de energia querendo cortar a luz do local. Pegando o telefone celular, o trabalhador mostrou que a ordem pelo serviço vinha da Secretaria Estadual da Educação (Seduc). O corte foi evitado e o funcionário disse que retornará, na próxima vez acompanhado pela polícia.

O primeiro ato da crise envolvendo a escola Rio Grande do Sul ocorreu no dia 10 de agosto, quando a direção foi comunicada pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc) que deveria entregar as chaves no final daquele mês, em função da intenção do governo estadual de criar no espaço uma casa para atendimento de pessoas em situação de rua durante a pandemia do coronavírus. Na ocasião, o governo também comunicou que a estrutura da escola Rio Grande do Sul seria transferida para a escola Parobé. Como a intenção do governo não foi bem aceita pela comunidade e tampouco pelo conselho escolar, a diretora Elisa Santana Oliveira não entregou as chaves no dia 31 de agosto.

Sem acordo, no dia 3 de setembro, o governo do Estado mandou arrombar a porta da escola, trocou o cadeado e deu início à retirada de móveis e documentos, desocupando a escola fundada há mais de 60 anos. O processo acontece à revelia da direção e sem diálogo com a comunidade escolar. Nas audiências públicas realizadas após o arrombamento e nos contatos posteriores com a direção da escola, o projeto que beneficiaria as pessoas em situação de rua deixou de ser a justificativa para o fechamento do colégio. Desde então, a Seduc alega “problemas estruturais” na escola e argumenta que a medida visa “garantir a segurança da comunidade escolar”.

A diretora da escola Rio Grande do Sul, Elisa Santana Oliveir, tem explicado que o problema estrutural alegado pela governo do Estado é uma infiltração proveniente da caixa d’água, que atinge poucas salas e cuja situação foi relatada para o governo estadual em agosto de 2019. Em nota enviada ao Sul21 em setembro, a Secretaria da Educação não explicou por que não realizou a reforma até hoje, um ano depois de tomar conhecimento da situação.

“A Secretaria Estadual da Educação informa que, em virtude de problemas estruturais no prédio da Escola Rio Grande do Sul, já apontados pela 1ª Coordenadoria Regional de Obras Públicas (Crop), as atividades da instituição de ensino serão transferidas para a Escola Professora Leopolda Barnevitz, localizada nas proximidades. A ação, que visa garantir a segurança da comunidade escolar, irá oferecer as condições para a continuidade das atividades de professores, equipe diretiva e estudantes. Ainda, a Seduc reforça que, ao longo dos últimos meses, tem realizado reuniões, por meio da 1ª Coordenadoria Regional de Educação, com a equipe diretiva da escola Rio Grande do Sul para tratar do tema”, disse, na ocasião, a nota da Seduc.

A diretora critica a justificativa do governo para fechar a escola, destacando que o discurso dos “problemas estruturais” faz parecer que o prédio inteiro está “caindo”, enquanto o caso se refere um local determinado, sem risco grave. “É um problema, claro, mas que se resolveria com a substituição da caixa d’água”, enfatiza Elisa.

Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Sul 21



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