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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Cerimônia em São Paulo revela vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico


logo-agenciabrasil Cerimônia em São Paulo revela vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou, na noite de terça-feira (11), os premiados da 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, na capital paulista.ebc Cerimônia em São Paulo revela vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmicoebc Cerimônia em São Paulo revela vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico

Criada em 2024, a premiação é voltada a obras acadêmicas, científicas e técnicas, e amplia a visibilidade de autores e editoras desses segmentos. A edição contou com 27 categorias divididas em dois eixos: Ciência e Cultura e Prêmios Especiais.

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Entre os vendedores estão autores com obras sobre desafios contemporâneos e questões históricas que ainda reverberam na atualidade, como crise climática, desigualdade social, ditadura militar e saberes tradicionais indígenas e africanos. 

A obra O jeito Yanomami de pendurar redes (Editora Perspectiva), de Thiago Benucci, venceu na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais. Na categoria Economia, o prêmio foi para a obra A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico (Editora Jandaíra), de Fillipi Nascimento e Michael França.

Em Ciências Agrárias e Ciências Ambientais, o título vencedor foi Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas (Editora Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), de Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin.

Na categoria Ciências da Religião e Teologia, o prêmio foi para a obra Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Editora Pallas), de Reginaldo Prandi. Em Comunicação e Informação, o 1º lugar ficou com Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva (Editora Matrix), de Juliana Dal Piva.

Confira a lista completa dos premiados aqui.  

Vencedores

Os autores vencedores receberam a estatueta do Jabuti Acadêmico, além de um prêmio de R$ 5 mil. As editoras das obras premiadas também receberam a estatueta. 

“É motivo de muita comemoração reconhecer obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil. Os trabalhos refletem a diversidade de temas, perspectivas e contribuições que enriquecem o debate acadêmico e ampliam a produção de conhecimento”, disse Sevani Matos, presidente da CBL. 

Homenagens especiais

O grande homenageado da noite foi o físico, professor e pesquisador José Goldemberg, anunciado pela CBL como a Personalidade Acadêmica desta 3ª edição do prêmio. Ele esteve na cerimônia para receber a estatueta. A homenagem reconhece sua trajetória científica, liderança acadêmica e contribuição para o desenvolvimento da ciência, das políticas públicas e da sustentabilidade.

“Sou um produto típico da educação pública e laica do Brasil. Escola primária em Porto Alegre, ginásio no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, de forte influência positivista, para quem a ciência é o motor da história, e Universidade de São Paulo (USP), em 1945. Meu interesse e vocação para me tornar um cientista se manifestou cedo, pela curiosidade permanente de descobrir a causa das coisas, rejeitando explicações religiosas e metafísicas”, disse Goldemberg em seu discurso no palco.

O professor relatou que, inicialmente, fez pesquisas em física nuclear na USP e nos períodos em que trabalhou no exterior, na Universidade de Stafford e na Universidade de Paris, que tiveram ampla repercussão. “Após 20 anos dedicados inteiramente à pesquisa, comecei a participar ativamente das atividades da SBPC [Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência], em defesa da ciência e dos cientistas, no período do governo autoritário e obscurantista. Neste período, direcionei minha atenção para estudos sobre energia em geral, meio ambiente e mudanças climáticas”, lembrou.

“Como reitor da USP, de 1986 a 1990, tentei recuperar o nível acadêmico e científico que ela havia tido e perdido no período autoritário”, destacou o professor. Ele mencionou ainda seu trabalho de pesquisa em fontes de energia renováveis e biocombustíveis. 

“Essas atividades me levaram a realizar pesquisas na Universidade de Princeton, onde em colaboração com os colegas Robert Williams dos Estados Unidos, Thomas Johansson da Suécia e Amulya Reddy da Índia, publicamos em 1988, pela Wiley-Ester, o livro Energy for a Sustainable World, (Energia para um mundo sustentável), que se tornou uma obra de referência na área e impulsionou a transição energética no mundo todo”, disse.

“Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem”, finalizou Goldemberg.

Segundo a CBL, ao longo de mais de sete décadas de atuação, o pesquisador consolidou-se como uma das principais referências da ciência brasileira e internacional, nas áreas de física, energia, meio ambiente e educação.

“Seu trabalho foi decisivo para projetar internacionalmente o programa brasileiro de biocombustíveis, consolidando-o como referência mundial em transição energética e no desenvolvimento sustentável”, divulgou a organização.

Entre os reconhecimentos recebidos por Goldemberg estão o Blue Planet Prize (Japão, 2008), considerado um dos mais importantes prêmios internacionais da área ambiental; e o Trieste Science Prize, da Academia Mundial de Ciências (TWAS), em 2010.

Houve ainda homenagem à obra História das Mulheres no Brasil, da historiadora, escritora e professora brasileira Mary Del Priore, como o Livro Acadêmico Clássico 2026. O objetivo é reconhecer obras de relevância permanente para a produção do conhecimento no país, destacando títulos que marcaram gerações de pesquisadores, estudantes e leitores. O título foi escolhido pela diretoria da CBL após consulta pública inicial.

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