Muito Além da Música: A Estratégia de Propriedade Intelectual que Blindou o Legado do BTS

54693 Muito Além da Música: A Estratégia de Propriedade Intelectual que Blindou o Legado do BTS

Por Naiara Dias, Repórter do Viver Política

O fenômeno global BTS não é apenas um sucesso das paradas musicais; é um caso de estudo sobre como a gestão estratégica da Propriedade Intelectual (PI) pode transformar artistas em um patrimônio econômico nacional. Em uma análise recente destacada pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO), o grupo sul-coreano foi apontado como um modelo de como proteger e expandir uma marca no século XXI.

Desde o registro de marcas para o nome do grupo e sua base de fãs, os “ARMY”, até o desenvolvimento de personagens e produtos licenciados, a estratégia da HYBE (agência do grupo) garante que o impacto do BTS continue rendendo frutos mesmo durante períodos de pausa, como o recente serviço militar obrigatório dos membros.

O Retorno Triunfal em 2026 O momento da análise não poderia ser mais oportuno. Em março de 2026, o mundo testemunha o retorno completo do septeto após o cumprimento dos deveres militares. Com o lançamento do álbum “Arirang”, o grupo quebrou recordes históricos de streaming e vendas, reafirmando que a marca “BTS” permanece mais forte do que nunca. Analistas apontam que a volta do grupo deve injetar bilhões na economia sul-coreana, impulsionando o turismo e as exportações culturais.

A Proteção da Identidade Um dos pilares do sucesso é o uso de marcas registradas. O BTS detém centenas de registros na Coreia do Sul e em outros países, protegendo desde logos e nomes de álbuns até tecnologias de “light sticks” (os ARMY Bombs) que se conectam via Bluetooth em shows.

Essa “blindagem” jurídica evita a pirataria e permite que o grupo diversifique suas fontes de renda em áreas como games, moda e educação (com o ensino da língua coreana). Segundo a WIPO, essa abordagem protege o potencial criativo e garante que o controle da narrativa permaneça nas mãos dos criadores.

Política e Cultura: O Soft Power Coreano Para o Brasil e para o mundo, o modelo do BTS serve de lição política sobre a importância do apoio estatal às indústrias criativas. O governo sul-coreano há décadas investe em leis de direitos autorais robustas, vendo na cultura o seu maior “Soft Power” — a capacidade de influenciar e atrair o mundo sem o uso da força, mas sim pela inovação e pelo talento.


Fonte: WIPO Magazine / Agência de Notícias de Seul. Atualização: 26 de março de 2026.

https://www.wipo.int/pt/web/wipo-magazine/articles/how-the-boy-band-bts-is-using-ip-to-build-its-legacy-42535

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