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sábado, 1 de agosto de 2026

Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%


logo-agenciabrasil Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%

Embora ainda sejam a maioria entre os que se formam em cursos audiovisuais, as mulheres não encontram representação em cargos de liderança das obras cinematográficas produzidas no Brasil. E esse cenário só será alterado por meio de políticas públicas, defende Minom Pinho, produtora de cinema e audiovisual, diretora da Associação Paulista de Cineastas (Apaci) e coordenadora e idealizadora do Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM Cine).ebc Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%ebc Participação feminina na direção de filmes permanece abaixo de 20%

“As grandes mudanças se fazem com política pública”, ressalta. “E para você alcançar a política pública, você tem que ter indicador e indutor. O que significa isso? Por exemplo, estipular que o número de mulheres em roteiro e direção em longas-metragens deve bater 30% até 2030. A gente vai ter que entender que é preciso estabelecer metas mais claras porque o cinema é uma zona de resistência muito grande”.

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Em entrevista à Agência Brasil durante a realização do festival de cinema Bonito CineSur, Minom destacou que há anos a participação de mulheres em cargos de liderança no cinema e no audiovisual brasileiro não chega a ultrapassar 20%, mesmo as mulheres tendo maior formação que os homens e conseguindo atrair grandes públicos aos cinemas brasileiros.


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Minon Pinho defende políticas públicas para ampliar participação feminina nas lideranças do setor cinematográfico – Divulgação

A produtora assegura que não há número que justifique o não crescimento da participação feminina em cargos de liderança.

“Ninguém pode alegar que as mulheres não têm competência. Elas estão fazendo um milagre. Foi dado a elas 20% [de cargos de liderança] nos filmes, mas elas estão pegando 44% do mercado. Isso quer dizer que elas estão fazendo muito com a pior situação possível”, enfatiza.

Por isso, defende, é importante estabelecer políticas públicas que estipulem metas para o aumento dessa participação. “Meu sonho é a gente chegar em equidade nos próximos 10 anos. Meu sonho é que a gente saia desse atual patamar”.

Dados apresentados pelo Anuário Estatístico do Audiovisual Brasileiro de 2024, do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA) – e publicado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), mostram que apesar de as mulheres serem maioria nas atividades de exibição (58%) e distribuição (54%), elas representam apenas 17% da direção de séries e filmes brasileiros.

O anuário também aponta que, enquanto 231 longas-metragens brasileiros produzidos em 2023 foram dirigidos exclusivamente por homens, apenas 52 foram feitos por mulheres. No caso dos roteiros, o domínio também era dos homens: 165 contra 41.

Enquanto isso, as mulheres eram maioria na direção de arte (99 contra 57) e na produção-executiva (110 contra 66).

“Esse é o lugar que a sociedade convencionou que é o nosso lugar, o lugar das mulheres. Temos aí a direção de arte ou figurino, por exemplo, porque ‘arte é coisa de mulher’. Isso é um estereótipo absurdo. Temos sim excelentes diretoras de arte. Mas o número de diretoras de filmes precisa crescer”, aponta Minom.

A produtora destaca que o cinema precisa de mais mulheres na condução das narrativas. “A gente quer estar em todos os lugares. Mas quando você tem uma ideia, escreve essa história e tem uma mulher dirigindo essas histórias e escolhendo as imagens que vão configurar naquela peça ou naquela obra audiovisual, isso faz muita diferença”.

Mesa de debates

No domingo passado, o festival de cinema Bonito CineSur promoveu uma mesa para debater o protagonismo feminino no cinema sul-americano.

Além de Minom Pinho, a mesa também contou com a presença da atriz chilena Paulina Garcia. Em sua fala, Paulina destacou que é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres.


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Para Paulina Garcia,  é preciso haver mais histórias contadas por mulheres e interpretadas por mulheres. – Divulgação

“Para as mulheres, existem mais coisas do que desempenhar papéis de pessoas doentes ou que morrem a certa idade. Também há mais coisas do que se apaixonar por um homem mau ou um homem perdido ou ser filha de alguém. Precisamos contar com histórias mais complexas sobre quem somos ou sobre o que queremos fazer”, defende.

Também presente ao debate, Gabriela Sandoval, diretora e produtora de indústria do Festival Internacional de Cinema de Santiago (Sanfic), destacou que é preciso uma união das mulheres do continente para reforçar suas participações nas produções cinematográficas sul-americanas.

“Creio que essa construção de uma rede é importantíssima”, diz. “Quando se fala em mulheres em espaços de poder, sempre se vê como algo negativo. Mas o espaço de decisão é uma responsabilidade e abre caminhos para que se contem outras histórias”.

* A repórter viajou a convite do Bonito CineSur

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